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O melhor violão do mundo


Um dos principais sonhos de todo violonista e ter um super violão, e se possível, o melhor violão do mundo, é claro.


O “melhor violão do mundo” seria aquele que nos atenderia em todos os quesitos tais como, um timbre macio e claro, muitíssimo confortável para se tocar, perfeitamente afinado e com um volume impressionante. Seria como uma” Ferrari” dos violões. Assim como a Ferrari esse violão provavelmente custaria uma fortuna.


Vamos supor que tivéssemos dinheiro para comprar uma Ferrari. Só alegria, certo?


- Talvez não!


Se vamos circular pelas ruas esburacadas do Brasil, um carro esporte seria uma péssima escolha. Pior ainda se tivéssemos que ir a um sítio, onde uma Land Rover seria uma opção muito mais adequada. Dependendo da estrada, um Jeep daqueles mais simples talvez fosse a melhor solução.


Uma vez vi num programa humorístico de tv, um quadro que falava do “ melhor do melhor do mundo”.


Eu confesso que não gostava daquele programa mas esse quadro era uma crítica muito interessante dessa tendência que nós brasileiros temos, de tentarmos eleger o “melhor do mundo”.


O “melhor do mundo” não existe. É apenas um recurso de marketing bem desgastado e falso, mas muito eficaz em um país que não consegue se desfazer do status de república de 3o. mundo.


Pois bem, voltando aos violões.


Há violões famosos, elevados ao status de lendas por grandes músicos. Instrumentos como Ramirez, Fleta, Hauser, Rubio, Smallman, Kohno, Humphrey, Bernabe e muitos outros, têm-se revezado nos sonhos de consumo dos violonistas e colecionadores há décadas. Mas qual deles seria o melhor?


Bem, a pergunta correta talvez fosse:


- Qual deles é o melhor pra mim?


Tenho experimentado diversos violões de muitos modelos, idades e materiais diferentes e vai ficando cada vez mais claro que cada um deles tem aspectos atraentes e problemas.


Já encontrei instrumentos com um volume impressionante, mas com um timbre incômodo na região média. Outros com baixos volumosos e macios, mas com as primas apagadas e sem vida. Por outro lado, já toquei em instrumentos mais modestos mas extremamente equilibrados e agradáveis de tocar. Turíbio Santos descreve com bom humor, seu violão preferido como aquele que quando você chega em casa ele "abana o rabinho". Já ouvi outros violonistas usarem o termo “violão amigo”.


Um instrumento é uma roupa que veste bem em seu dono, e deve combinar com as características físicas e artísticas do seu proprietário.


Sei que tudo isso parece meio vago portanto vou descrever o tipo de violão que “eu” gosto.






1- Tem que ser fácil de tocar. Um bom violão deve facilitar a sua vida. Não é inteligente fazer musculação para vencer seu instrumento.


2- A afinação deve ser precisa. Já ví instrumentos sonoros e caros com deficiências nessa área.


3- Um bom violão deve oferecer uma boa flexibilidade na variação de timbre, elemento fundamental para uma boa interpretação.

4- O Violão deve ter caráter sonoro. Chamo de “caráter” um “algo mais” no timbre, que se soma ao som esperado das cordas gerando o inesperado inspirador. Algo que personalize o instrumento. Esse é um elemento um pouco mais raro.


5- A sensibilidade aos vibratos é uma importante ferramenta interpretativa. Há instrumentos que exigem mais força do interprete na produção desse efeito, o que limita a expressividade.


6- O volume é também um aspecto importante, principalmente para aqueles que pretendem fazer concertos sem amplificação. Em estúdios de gravação e palcos amplificados porém, o volume deixa de ser um diferenc